quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Malone está a morrer

Não sou muito susceptível... diria mesmo que tendo a ser resistente, mas Samuel Beckett activou-me todas as fragilidades

«... É o que sinto, sinto-o há já alguns dias, e acredito na minha impressão. Mas em que é que essa impressão é diferente das que me têm enganado desde que nasci? Não, trata-se de um género de pergunta que já não pega, comigo já não pega, já não preciso de pintar. Morria hoje mesmo, se quisesse, bastava fazer um bocadinho de força, se fosse capaz de querer, se fosse capaz de fazer força. Mas mais vale deixar-me morrer, sem apressar as coisas...»

Já Fernando Pessoa o tinha feito

«...Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti...»

E quando olho para o lado sinto isso mesmo, a morte perto, naõ a minha mas dos que amo, não por vontade própria mas por assim ser a vida dizem...
Ficas sem defesas se vês a morte chegar a quem a repudia, a quem dela se pretende desviar com todas as poucas forças com que atrofia...

Dói!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O silêncio dos inocentes

Na hora da verdade todos se calam....
Todos conhecemos pessoas, situações momentos de desespero à nossa volta.
A crise não veio para brincar.
Temos amigos a ser despedidos, empresas a fechar, a ser executadas fiscalmente ordenados congelados no privado.
Perante isto o GOverno aumenta a função pública em 2,9%, acima da inflação prevista, de 2,6%.
Ano de eleições, recuperação do poder de compra perdido ao longo dos anos... qui ça...
Na verdade os grandes obreiros do país todos se calam, do PP à CDU passando por entre a chuva em ano de elições.
Não desejo mal aos funcionários públicos que por mim podiam sem aumentados 10% ou mais, dá-me igual, já ñão acredito na reforma, pois a verdade é que o chapéu do Estado vai dando para cobrir aquilo que é necessário.
A crise muda muita coisa, mas não a vontade de ganhar uns votitos mais uma vez prejudicando o bem comum.
Uns dão outros calam, é assim a vida...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Joseph the man

Sócrates teima em si...
«Ele encarnou uma personagem na qual até o próprio já parece acreditar. Honesto, trabalhador, empenhado em Portugal e nos portugueses, ninguém faria melhor dirão os cartazes na data das legislativas.».
O problema é que já ninguém acredita... e pergumto ao ENGENHEIRO se a teoria da cabala se aplica neste caso? Pois parece esta ser mais uma vez a teoria 1 do PS. Aguardamos, em função dos factos, pela 2 a 3 e a 4 como de costume...
Os aios, esses já sairam à rua com principal destaque para o Professor Freitas do Amaral... numa palavra, deprimente.
Pergunto se os cabalistas já estarão a minar a carreira internacional do ENGENHEIRO pois parece que até a polícia britância já definiu o timming de anos de eleições, em Portugal para actuar, inaceitável.
Irascível na forma, por vezes enfático nas palavras, duvidoso nas acções... com ele vos deixo... Ficararão esclarecidos.. acho eu...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Kill the Poor

Nunca nenhuma guerra foi feita pelo povo...
Todas por terra, poder, prestígio, diheiro, ambição e lutas entre poderosos...
Não há neutros, nem indiferentes, nem impotentes. Ou somos carne ou somos canhão.
Não sou anarca nem Punk... mas às vezes gostava.

Smiths

Estou Cansado

Às vezes sinto-me tão cansado, será próprio dos fracos, será das minhas dúvidas será de ti? Será de mim?

Estou Cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro de Campos
o poeta de todos os sentimentos, excepto do amor...

Os super aditivados

E assim mergulhei no lago.
O choque térmico fez-me voltar à normalidade. Olhei à volta e fiquei surpreendido.
Todos pareciam estar a consumir.
Verdade seja dita que eu mesmo, antes de começar a escrever, fui beber um cafézito, «ajuda a abrir a pestana...»
As pessoas andam aceleradas, mas não é menos verdade que uma boa parte das pessoas anda «aditivada». São os milhares de cafés diários, os comprimidos para tudo o que mexe, o elevadíssimo consumo de álcool na nova geração, as drogas leves que fazem parte integrante de qualquer grupo das zonas urbanas e que cresce a olhos vistos na província, é a estúpida mania das dietas compulsivas ajudadas por «pílulas» mágicas. Enfim, é uma panóplia de produtos mais ou menos químicos que uma grande parte da população toma.
É o excitante para sair da depressão, o calmante porque estamos excitados de mais.
Somos os reis do álcool, queremos ser os reis da «ganza», estamos no Top + do doping em atletas amadores, enfim, somos mesmo dos maiores... consumidores de substâncias que, de forma mais ou menos nociva, nos vão mantendo acordados. Se calhar, lá fora é igual, mas deixem-me ser um pouco egoísta em relação ao nosso Portugal (perdoem-me todos aqueles que, de facto, necessitam de tomar químicos para minorar ou curar qualquer maleita que tenham).
Usa as drogas, Zequinha, não deixes que as drogas te usem a ti. Usa-as em teu benefício de forma selectiva e moderada. Usas as que quiseres, sem preconceitos, mas cuidado, muito cuidado.
Será uma forma de progresso, uma invenção pós-modernista, o verdadeiro posso-ser-quem-quero-desde-que-tome-o-produto-certo. Eu adorava voar, mas não posso ter asas, nem nunca terei guelras ou barbatanas.
Se calhar, tenho uma boa dose de loucura natural que me minimiza a busca de algo mais. Se calhar, sou muito conservador nalgumas coisas, mas a verdade é que me sinto preocupado.
Vou voltar a mergulhar no lago. Pode ser que consiga ver as coisas de outra maneira, sem trip. Até já...